Associar o envelhecimento ao desgaste físico, a se tornar uma pessoa rabugenta ou “fora de época” pode ser classificado como idadismo ou também como um “clichê” associado às pessoas mais velhas. No entanto, os especialistas afirmam que, em nível intrínseco, acontece exatamente o contrário e definem o envelhecimento como um processo de “refinamento emocional”.
Isso acontece porque existem diversos estudos que indicam que, entre os 60 e 70 anos, muitas pessoas alcançam o melhor momento de suas vidas no plano emocional e no equilíbrio mental - o seu auge.
Podemos defini-lo como um pico de bem-estar emocional e social, no qual estão envolvidos os chamados “cinco grandes traços da personalidade”, segundo a teoria do Big Five (sociabilidade, responsabilidade, abertura, amabilidade e neuroticismo). Conforme explicam especialistas e como afirmam os psicólogos, esses traços tendem a melhorar com a idade.
Por isso, graças a esse processo, à medida que envelhecemos, somos capazes de tomar decisões melhores, ou pelo menos decisões mais reflexivas e tranquilas.
As áreas em que se observa uma evolução mais positiva são:
- a consciência, já que tendemos a ser mais responsáveis;
- a estabilidade emocional, onde o neuroticismo diminui consideravelmente;
- a tranquilidade, pois estamos em um momento de maior calma;
- e, além disso, há um aumento da amabilidade.
A isso se somam outras pesquisas na mesma linha, nas quais foram estudados a satisfação com a vida e os sintomas depressivos. Os resultados mostram que os idosos de hoje tendem a relatar menos sintomas negativos e maior satisfação vital do que gerações anteriores na mesma faixa etária - neste caso, pessoas nascidas entre 1946 e 1964.
Além disso, é importante acrescentar que um estudo sobre as diferenças de coorte nos Big Five detectou que os nascidos na geração do Baby Boom apresentam maior extroversão e uma mente muito mais aberta do que seus pais tinham na mesma idade.
Por outro lado, parece que com as gerações mais jovens acontece o oposto. Pessoas pertencentes à Geração Z e aos Millennials apresentam níveis mais elevados de estresse e ansiedade em comparação com gerações anteriores. Segundo os relatórios mais recentes do Sapien Labs sobre o Mental State of the World, evidencia-se uma grande lacuna a favor dos mais velhos, que demonstram maior autoestima e menor dependência da validação externa.
Toda a informação disponível atualmente - principalmente por meio das redes sociais - influenciou para que os mais velhos se tornassem mais independentes. Saber que precisamos cuidar tanto da saúde física quanto da mental nos abre caminho para sermos mais resilientes e capazes de nos adaptar aos “novos tempos”.
Por isso, outros estudos também indicam que pessoas com mais de 70 anos são mais independentes e autônomas, graças ao envelhecimento ativo, o que também as protege, do ponto de vista psicológico e mental, contra o declínio cognitivo e a demência.
Por fim, é necessário falar sobre o conceito de “sabedoria pessoal”. Segundo os psicólogos, trata-se dos valores emocionais aprendidos ao longo da vida, que também parecem atingir seu ponto máximo nas fases mais avançadas da velhice.
Dentro dessa sabedoria, vale destacar a gestão de conflitos sociais e emocionais, que melhora com o passar dos anos, pois a experiência e a maturidade têm um papel fundamental nesse processo.